sábado, 17 de maio de 2014



Um castelo de areia

Eu o construí num amanhecer.
Estava necessitada de um abrigo e vi à minha frente material suficiente para construir um imenso castelo de sonhos.
À medida que o construía o material se multiplicava e eu o ampliava, ampliava.
Tantas vezes o via resplandecente e me encantava com seus vitrais lilases.
Sempre fui apaixonada pela cor lilás e com criatividade a usava e até abusava.
Meu castelo era frágil e vulnerável apesar de sua imponente aparência.
Meu ser se recusava a aceitar que um vento um pouco mais forte o poria abaixo.
Idealizei cortinas brancas rendadas para esvoaçarem com a brisa leve da tarde.
Idealizei tapetes vermelhos para que o meu rei caminhasse até o trono que com tanto cuidado projetei.
O entardecer o fazia lindo e o anoitecer o entristecia.
Novo dia! Alegria! Como os raios dourados ele resplandecia. Quanta fantasia!
A brisa que levantava as delicadas cortinas certa vez chegou mais inflada.
O vento forte soprou. Adeus cortinas, janelas. Sacadas.
Nada em pé ficou.
Estava no chão meu tão belo castelo.
Eu sentada, de olhos abertos o buscava enxergar e buscava alcançar o que se tornava fumaça no ar.
Dizia a mim mesma que nada nesta vida começa sem uma base bem sólida.
Castelos assentados sobre areias sempre estarão propensos a desmoronar.
E sempre alguém vai se machucar em meio aos escombros que se espalham no ar. Mesmo que eles só existam dentro de um mero imaginar.
Ai do sonhador!

Ai do seu sonhar!

sonia delsin

Nenhum comentário:

Postar um comentário