Um castelo de areia
Eu o construí
num amanhecer.
Estava
necessitada de um abrigo e vi à minha frente material suficiente para construir
um imenso castelo de sonhos.
À medida que o
construía o material se multiplicava e eu o ampliava, ampliava.
Tantas vezes o
via resplandecente e me encantava com seus vitrais lilases.
Sempre fui
apaixonada pela cor lilás e com criatividade a usava e até abusava.
Meu castelo era
frágil e vulnerável apesar de sua imponente aparência.
Meu ser se
recusava a aceitar que um vento um pouco mais forte o poria abaixo.
Idealizei
cortinas brancas rendadas para esvoaçarem com a brisa leve da tarde.
Idealizei
tapetes vermelhos para que o meu rei caminhasse até o trono que com tanto
cuidado projetei.
O entardecer o
fazia lindo e o anoitecer o entristecia.
Novo dia!
Alegria! Como os raios dourados ele resplandecia. Quanta fantasia!
A brisa que
levantava as delicadas cortinas certa vez chegou mais inflada.
O vento forte
soprou. Adeus cortinas, janelas. Sacadas.
Nada em pé
ficou.
Estava no chão
meu tão belo castelo.
Eu sentada, de
olhos abertos o buscava enxergar e buscava alcançar o que se tornava fumaça no
ar.
Dizia a mim
mesma que nada nesta vida começa sem uma base bem sólida.
Castelos
assentados sobre areias sempre estarão propensos a desmoronar.
E sempre alguém
vai se machucar em meio aos escombros que se espalham no ar. Mesmo que eles só
existam dentro de um mero imaginar.
Ai do sonhador!
Ai do seu
sonhar!
sonia delsin

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