PAI
Eu sempre o amei
demasiadamente.
Não
demasiadamente, pois você é meu pai.
Mas,
sinceramente, eu o coloco num lugar tão alto.
Eu o amo como se
ama um ser tão caro.
Reconheço seus
defeitos e admiro suas qualidades.
Pai, eu cresci!
Deixei de ser a criança petulante que o chateava, até.
Deixei de ser
“cheia de pedidos e cheia de vontades”.
Sabe! Eu
pretendia lhe escrever algo lindo.
Mas é assim que
eu sei ser: espontânea, natural, sincera.
Eu sou realista,
sei que você não se importa com aquilo que escrevo.
Talvez nunca
leia essas linhas.
Mas mesmo assim
escrevo.
Pai, não são
frases vazias.
Não adianta.
Você não entenderia o que escrevo.
Você me deu
muita coisa.
Mas foi de uma
maneira quase imperceptível.
Você esconde
suas emoções. Você não se entrega.
Por que você
nunca me disse que gosta de mim?
Mas eu sinto que
você me ama, apesar de tudo.
São Paulo, 02 de
julho de 1976
sonia delsin
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