sábado, 17 de maio de 2014



PAI

Eu sempre o amei demasiadamente.
Não demasiadamente, pois você é meu pai.
Mas, sinceramente, eu o coloco num lugar tão alto.
Eu o amo como se ama um ser tão caro.
Reconheço seus defeitos e admiro suas qualidades.
Pai, eu cresci! Deixei de ser a criança petulante que o chateava, até.
Deixei de ser “cheia de pedidos e cheia de vontades”.
Sabe! Eu pretendia lhe escrever algo lindo.
Mas é assim que eu sei ser: espontânea, natural, sincera.
Eu sou realista, sei que você não se importa com aquilo que escrevo.
Talvez nunca leia essas linhas.
Mas mesmo assim escrevo.
Pai, não são frases vazias.
Não adianta. Você não entenderia o que escrevo.
Você me deu muita coisa.
Mas foi de uma maneira quase imperceptível.
Você esconde suas emoções. Você não se entrega.
Por que você nunca me disse que gosta de mim?
Mas eu sinto que você me ama, apesar de tudo.

São Paulo, 02 de julho de 1976


sonia delsin

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