sábado, 17 de maio de 2014



GUARDANDO SENSAÇÕES

Minhas mãos guardam sensações.
Armazenam desde a infância todas as texturas.
Todas as peles tocadas.
Os objetos.
Os minerais, vegetais, animais.
Se fecho meus olhos minhas mãos recordam os pelos de meus gatos que ficaram na infância.
Dos cães.
Recordam a penugem dos filhotes de pássaros.
Cada objeto tocado foi guardado.
Como foi guardada a barba nascendo no rosto de meu pai.
Seu bigode.
As orelhas duras.
Os calos das mãos, os dedos nodosos.
A pele macia dos manos quando eu os banhava.
Os cabelos sempre sedosos da mana.
As mãos quentinhas de minha mãe.
Os espinhos das roseiras.
As cascas das jabuticabeiras.
O áspero das palhas de milho.
E o fubá entre os dedos.
A água gelada da cachoeira.
Os pelos do peito do meu amor.
Seus lábios mornos nos meus dedos.
A pele macia de meus filhos.
As covinhas nas mãos do mais velho.
Fecho os olhos e minhas mãos parecem sentir aquela mão dentro da minha.
As dobras das coxas do caçula.
Fecho os olhos e minhas mãos passeiam de novo nos caminhos percorridos.
Pétalas macias de flores.
Objetos agradáveis de serem tocados.
Minhas mãos revivem tudo.


sonia delsin

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