sábado, 17 de maio de 2014



OS PEDACINHOS DE MIM

Estive olhando uma estrela e nela eu vi fragmentos de um ser.
Vi pedaços tão pequeninos de alguém que andou viajando pela eternidade.
Os pedaços espalhados formavam um enorme quebra-cabeça.
Era uma mulher que sorria daqui, uma que chorava dali. Uma de longas tranças, outra de cabelo bem curto. Uma loira, uma morena.
Vestidos, plumas, chapéus, meias. Calça de montaria. Roupa de todo dia.
Outra hora era um menino, um rapaz. Um homem, um ancião.
Outras vidas, outros lugares. Outros sonhos.
Outras histórias.
Como eu podia saber que todos aqueles seres se resumiam num só ser?
Eu não sabia, claro que não! Não sou clarividente.
Sou só gente que sente.
Foi uma sensação de que todas aquelas criaturas vieram com vestes diferentes num espírito que não morre e que capta sensações dos tempos.
A sensação do passado me confunde.
Tudo tão guardado, arquivado.
O passado é um morto que não pode ser ressuscitado.


 sonia delsin

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