MEUS QUERIDOS VELHINHOS
Hoje eu
os visitei.
Cheguei e
estavam tendo uma festinha. Uma comemoração para os aniversariantes dos últimos
três meses.
Ouvi o
som de um acordeão e fui em direção a ele.
Estavam
todos sentados e me aproximei.
Tenho ido
todas as quartas, mas como ontem choveu muito adiei para hoje.
Os
olhinhos de muitos deles se voltaram para mim. Lurdinha, com seu sorriso lindo
de sempre. “Cebola” que já me quer tão bem ficou todo feliz quando me viu
chegando.
Fui
beijar um a um e me sentei ao lado de “Cebola”.
Hoje ele
me contou que não sabe ler e escrever. Nem o nome sabe. Prometi que vou
ensinar.
Ele me
disse que adorou a imagem de santo que levei na última quarta. aquele dia ele
tinha ido ao dentista e eu deixei o pacote em cima da cama. Deixei o santinho e
mais uns três livros de orações.
Desconhecia
que ele é analfabeto, mas prometi que vou ler pra ele. Hoje já li um pouco e
ele gostou.
O asilo
hoje estava alegre. Muitos adolescentes apareceram por lá. Eram alunos que
vieram como voluntários.
Até os
velhinhos comentavam comigo que hoje tudo lá era só alegria.
Nem todos
são lúcidos, nem todos podem caminhar. Muitos ficam nas cadeiras de rodas.
Vi Lena
hoje sendo tão carinhosa com Nair. E Nair me fazia sinal de positivo de longe.
Eu fiz uma vez pra ela e ela não se esqueceu.
Lourença
não quis prosa hoje. Estava brava e a Célia que sempre parece tão calminha hoje
não estava querendo papo. Respeitei.
Levei
hoje uma lembrancinha pra Lurdinha. Esta senhora é uma gracinha.
Mas pra
falar de cada um preciso de uma crônica própria.
sonia delsin

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