sábado, 17 de maio de 2014



CRIS

Que saudades!
Cris, minha doce menina!
Por que escolheu esse caminho, tão longe de nós?
Se não escolheu, quem foi então?
Como é doloroso sabê-la tão inerte neste leito quem vibrava tanto.
Quem amava tanto a vida.
Quem sorria, ria e gargalhava.
Quem amava os jogos, os papos.
Lembra-se de quando sentávamos na varanda da casa de meus pais e lá falamos tanta besteira?
Era tanto papo furado.
Tanta conversa que jogávamos fora.
Hoje vejo que não foram conversas jogadas ao léu.
Não. Tiveram proveito.
Porque hoje tudo aquilo faz parte do passado, das lembranças e preciso tanto de tudo isso.
Porque falta você e as lembranças boas suavizam a nossa dor de sabê-la doente. De ignorar se voltará para nós um dia.
Queríamos tanto vê-la voltar com seu sorriso tão meigo, tão doce. No seu jeito de menina.
Sempre você foi uma menina para nós. Quando a vi entrando naquela igreja eu não consegui enxergar que era uma moça que se casava ali. Não, para a mim era a menina.
E o que você me falou quando fui cumprimentá-la fez-me ver que realmente você o era. Nunca deixaria de ser.
O tempo parou naquele dia para você?
Foram longos anos de ausência e você fez falta demais em nossas vidas porque sempre foi o nosso talismã. Uma criaturinha querida.
Sonhei tantas vezes com você nestes anos. Sonhei e os sonhos a trouxeram de alguma forma para mim.
Cris me ouça! Será que meu pensamento de alguma forma chega até você?
Se der para voltar, volte para nós.

Se não der nos ensine a aceitar. Se puder...

sonia delsin

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