sábado, 17 de maio de 2014



O VOO DA BORBOLETA

Quem disse que eu não posso ser uma borboleta? Se no coração eu tenho a lembrança do voo, eu posso perfeitamente voar. Se eu tenho a facilidade pra voar, pra soltar e pra sonhar, então tudo eu posso. Bem, vamos lá, eu vou lhes contar a experiência que tive nesta manhã.
Eu tenho aula de biodrama. Como acredito que nem todos saibam do que se trata vou explicar. É uma aula onde aprendemos a nos expressar. Onde exercitamos o corpo e a mente e nos soltamos. Mais ou menos isso.
Pois bem, hoje a professora nos orientou a nos concentrar, escolher uma cor pra nós, e depois ela nos pediu que tentássemos incorporar um ser.
Pensei na cor azul e escolhi ser uma borboleta, já que amo borboletas.
Cada aluno escolheu uma criatura, mas todos nós escolhemos criaturas aladas.
Em nossos braços e ombro pregamos papel crepom na cor escolhida. Ao som de um piano nós começamos a dançar.
Levemente quando o som era suave e mais apressadamente quando ele se fazia mais rápido.
Dançamos cerca de meia hora. Algumas vezes dançávamos sozinhos, curtindo nossas próprias sensações e noutras nos integrávamos. Uma hora eu me aproximava do pardalzinho, noutras do bem-te-vi, do beija-flor, da pombinha, do periquito. Nos saudávamos, nos aproximávamos mais e nos distanciávamos ao som da música.
A sensação foi indescritível. Posso falar um pouco da sensação de leveza, de paz, de amor. Verdadeiramente eu me senti uma com o universo.
Após a dança que foi lindíssima, nós deitamos em colchonetes, e ficamos dez minutos imóveis recordando o que tínhamos vivenciado.
Depois, cada qual a seu tempo foi narrando o que sentiu. Foi algo tão maravilhoso que senti desejos de estar contando.
Muitas vezes nos distanciamos das coisas simples e é nelas que encontramos mais alegria.
Eu jamais esquecerei este dia em que eu fui uma borboleta e meus amigos outros seres. A energia que passamos um para o outro; nossos sorrisos; nossa leveza.
Posso dizer que foi um dos meus momentos mais puros e singelos na vida adulta. Senti-me com sete anos brincando com meus amiguinhos, porque tudo aconteceu com naturalidade e pureza.
Ser borboleta num espaço como aquele entre pássaros foi mesmo uma experiência e tanto.


sonia delsin 

Nenhum comentário:

Postar um comentário