O VOO DA BORBOLETA
Quem disse que eu não posso ser uma borboleta? Se no
coração eu tenho a lembrança do voo, eu posso perfeitamente voar. Se eu tenho a
facilidade pra voar, pra soltar e pra sonhar, então tudo eu posso. Bem, vamos
lá, eu vou lhes contar a experiência que tive nesta manhã.
Eu tenho aula de biodrama. Como acredito que nem
todos saibam do que se trata vou explicar. É uma aula onde aprendemos a nos
expressar. Onde exercitamos o corpo e a mente e nos soltamos. Mais ou menos
isso.
Pois bem, hoje a professora nos orientou a nos
concentrar, escolher uma cor pra nós, e depois ela nos pediu que tentássemos
incorporar um ser.
Pensei na cor azul e escolhi ser uma borboleta, já
que amo borboletas.
Cada aluno escolheu uma criatura, mas todos nós
escolhemos criaturas aladas.
Em nossos braços e ombro pregamos papel crepom na
cor escolhida. Ao som de um piano nós começamos a dançar.
Levemente quando o som era suave e mais
apressadamente quando ele se fazia mais rápido.
Dançamos cerca de meia hora. Algumas vezes
dançávamos sozinhos, curtindo nossas próprias sensações e noutras nos
integrávamos. Uma hora eu me aproximava do pardalzinho, noutras do bem-te-vi,
do beija-flor, da pombinha, do periquito. Nos saudávamos, nos aproximávamos
mais e nos distanciávamos ao som da música.
A sensação foi indescritível. Posso falar um pouco
da sensação de leveza, de paz, de amor. Verdadeiramente eu me senti uma com o
universo.
Após a dança que foi lindíssima, nós deitamos em
colchonetes, e ficamos dez minutos imóveis recordando o que tínhamos
vivenciado.
Depois, cada qual a seu tempo foi narrando o que
sentiu. Foi algo tão maravilhoso que senti desejos de estar contando.
Muitas vezes nos distanciamos das coisas simples e é
nelas que encontramos mais alegria.
Eu jamais esquecerei este dia em que eu fui uma
borboleta e meus amigos outros seres. A energia que passamos um para o outro;
nossos sorrisos; nossa leveza.
Posso dizer que foi um dos meus momentos mais puros
e singelos na vida adulta. Senti-me com sete anos brincando com meus
amiguinhos, porque tudo aconteceu com naturalidade e pureza.
Ser borboleta num espaço como aquele entre pássaros
foi mesmo uma experiência e tanto.
sonia delsin

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