(PAI)
Você jamais lê o
que escrevo.
Não é do seu
feitio.
Lembro-me que um
dia você me disse que escrever é cretinice.
Aquilo doeu, ó
pai, como doeu!
Eu sou muito
diferente de você.
Sou diferente do
ambiente onde me criei.
Mas é assim que
sou.
Sou essa pessoa
sensível e etérea.
Eu tentei muitas
vezes mudar o meu modo de ser.
Afinal eu
preciso conviver num mundo prático.
E eu não sou
nada prática.
Vivi minha
infância e adolescência no meu mundinho particular.
Porque nem tudo
que me rodeava era bom e bonito para mim.
Eu tinha sonhos
e não tinha com quem conversar.
Porque ninguém
me compreendia.
Passei anos de
verdadeiro pesadelo e superei tudo.
Encontrei o amor
em minha vida e fiz dele a razão do meu viver.
Posso me
considerar uma pessoa feliz.
Apesar de ter
sofrido muito em outras épocas de minha vida.
Recordo coisas e
fatos que me fazem sofrer.
Às vezes é a saudade
que me esmaga o peito
Parece um moinho
moendo infinitamente os grãos.
Pai, você não me
entende...
São Carlos, 21
de outubro de 1994
sonia delsin
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