sábado, 17 de maio de 2014



(PAI)

Você jamais lê o que escrevo.
Não é do seu feitio.
Lembro-me que um dia você me disse que escrever é cretinice.
Aquilo doeu, ó pai, como doeu!
Eu sou muito diferente de você.
Sou diferente do ambiente onde me criei.
Mas é assim que sou.
Sou essa pessoa sensível e etérea.
Eu tentei muitas vezes mudar o meu modo de ser.
Afinal eu preciso conviver num mundo prático.
E eu não sou nada prática.
Vivi minha infância e adolescência no meu mundinho particular.
Porque nem tudo que me rodeava era bom e bonito para mim.
Eu tinha sonhos e não tinha com quem conversar.
Porque ninguém me compreendia.
Passei anos de verdadeiro pesadelo e superei tudo.
Encontrei o amor em minha vida e fiz dele a razão do meu viver.
Posso me considerar uma pessoa feliz.
Apesar de ter sofrido muito em outras épocas de minha vida.
Recordo coisas e fatos que me fazem sofrer.
Às vezes é a saudade que me esmaga o peito
Parece um moinho moendo infinitamente os grãos.
Pai, você não me entende...


São Carlos, 21 de outubro de 1994

sonia delsin

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