sábado, 17 de maio de 2014



O MAR

Há anos não visito o mar, mas basta-me fechar os olhos para senti-lo em toda sua magnitude.
Posso ouvir o barulho das ondas, sentir a maresia.
Na imaginação posso tudo, só que na verdade já não o vejo a bastante tempo.
Começo a recordar a primeira vez que o vi. Era uma moça já e não conseguia acreditar no que estava à minha frente.
Nas fotografias e nos filmes eu havia visto, mas diante dele como tudo era diferente!
Que fenômeno é o mar!
Lembro-me exatamente o que fiz quando o vi pela primeira vez.
Deitei-me na areia e rolei, rolei.
Senti algo assim como se estivesse nos braços de Deus.
Quis ser uma gaivota que o sobrevoava, um barquinho que avistava lá no horizonte.
Desejei ser uma concha, um peixe, qualquer animal marinho.
O que desejei naquele momento foi fazer parte dele, porque fiquei completamente fascinada por ele.
Jamais esquecerei a primeira onda que chegou até mim e o gosto da água salgada em meus lábios.
Na verdade o mar me encantou e me amedrontou.
Vejo-o sempre como uma força poderosa da natureza.
Sinto-o como uma enorme placenta que abriga e envolve a terra.
É meio sem nexo o que estou a dizer, mas às vezes eu imagino mesmo estas coisas e por que não dizer? Todos nós em certas horas temos um pouco de loucos.
Um dia talvez eu consiga morar bem pertinho do mar. Então caminharei todas as manhãs descalça na areia catando conchas, e, deixando as pequenas ondas lamberem meus pés, minhas pernas... um dia... quem sabe...


sonia delsin

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