sábado, 17 de maio de 2014



MINHA MÃE QUERIDA

Estou agora me lembrando dos meus tempos de criança.
Lembrando uma mulher bonita. Lindos olhos azuis. Vestida pobremente, mas com ar imponente.
Uma mulher que estava sempre sorrindo e sempre cantarolando.
Podia fazer tempo bom ou ruim que minha mãe era assim.
Toda noite ela ligava um rádio enorme para ouvirmos radionovela.
O dia todo ela trabalhava. Muito mesmo. Trabalho braçal, além de todos os afazeres do lar, do trabalho com os quatro filhos, com a sogra que vivia adoentada.
A guerreira nunca desanimava.
Um a um no colo ela nos pegava, nos acarinhava. Ouvimos a radionovela e depois estórias ela nos contava. Algumas daquelas bem conhecidas das crianças. Outras ela inventava.
Como era criativa!
Com aquelas estórias dela eu viajava, viajava...
Lembro bem que uma de suas estórias fictícias fazia meu irmão chorar.
Mas ela sabia consolar. Dizia que não era pra ele se impressionar.
Era tão só uma estória afirmava, e o mano meio desconfiado a olhava.
Nas noites que faltava energia ela acendia velas e preparava-nos pecinhas teatrais com suas mãos sensacionais.
Sombras na parede e vozes de animais que ela conseguia tão bem imitar.
Ela sempre teve umas mãos quentinhas.
Quantos carinhos aquelas mãos mágicas fizeram.
Esta mulher passou por tanta coisa na vida que nem dá pra contar. Hoje ela está com setenta e seis anos. É muito bonita ainda e forte. Conserva a doçura e o sorriso.
É muito admirada e querida por todos e isto enche meu peito de orgulho.
Os olhos são tão impressionantemente belos.

Minha dona Lina querida fui eu que a escolhi pra minha mãe nesta vida.

sonia delsin

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