MINHA
MÃE QUERIDA
Estou agora me
lembrando dos meus tempos de criança.
Lembrando uma
mulher bonita. Lindos olhos azuis. Vestida pobremente, mas com ar imponente.
Uma mulher que
estava sempre sorrindo e sempre cantarolando.
Podia fazer
tempo bom ou ruim que minha mãe era assim.
Toda noite ela
ligava um rádio enorme para ouvirmos radionovela.
O dia todo ela
trabalhava. Muito mesmo. Trabalho braçal, além de todos os afazeres do lar, do
trabalho com os quatro filhos, com a sogra que vivia adoentada.
A guerreira
nunca desanimava.
Um a um no colo
ela nos pegava, nos acarinhava. Ouvimos a radionovela e depois estórias ela nos
contava. Algumas daquelas bem conhecidas das crianças. Outras ela inventava.
Como era
criativa!
Com aquelas
estórias dela eu viajava, viajava...
Lembro bem que
uma de suas estórias fictícias fazia meu irmão chorar.
Mas ela sabia
consolar. Dizia que não era pra ele se impressionar.
Era tão só uma
estória afirmava, e o mano meio desconfiado a olhava.
Nas noites que
faltava energia ela acendia velas e preparava-nos pecinhas teatrais com suas
mãos sensacionais.
Sombras na
parede e vozes de animais que ela conseguia tão bem imitar.
Ela sempre teve
umas mãos quentinhas.
Quantos carinhos
aquelas mãos mágicas fizeram.
Esta mulher
passou por tanta coisa na vida que nem dá pra contar. Hoje ela está com setenta
e seis anos. É muito bonita ainda e forte. Conserva a doçura e o sorriso.
É muito admirada
e querida por todos e isto enche meu peito de orgulho.
Os olhos são tão
impressionantemente belos.
Minha dona Lina
querida fui eu que a escolhi pra minha mãe nesta vida.
sonia delsin
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário