sábado, 17 de maio de 2014



PAIZINHO QUERIDO

Faz tempo que não falo contigo assim, paizinho.
Ao pé do ouvido eu te falo baixinho.
Sei que precisaste partir. Que teu tempo tinha se acabado aqui.
Nem por isto estamos distanciados.
Eu tenho te falado. Hoje quero falar um pouco mais. Quero desabafar.
Pai. Depois que partiste teve tanto espinho no meu caminho.
Aquelas pessoas que tu colocavas toda a tua confiança não agiram como esperavas.
Eu creio que sabes disso e de muito mais.
Das coisas que eu nunca soube e nem vou saber.
Mas tu que tudo sabes deves sofrer.
Tinha alguém aonde depositavas todo bem querer.
Pai, eu cansei de sofrer.
Um dia eu falei basta. Vou procurar esquecer.
Esquecer é difícil, mas procuro viver momentos felizes, melhores. Procuro enterrar tudo que me machucou.
Sabe, dia destes um novo espinho no meu peito se enterrou.
Como o mundo é estranho, meu querido.
Como tudo de repente vira nada.
E como nada pode virar tudo.
Sabe. Eu tenho procurado uma vida melhor e tenho encontrado.
Fica aí sossegado que tua filha está progredindo no perdão, na compreensão.
Ela vai crescendo aos poucos.
Faz parte da sua evolução.


sonia delsin

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