CRISTINA,
SAUDADE DE TI
Cris, quanto
tempo!
Estou te
escrevendo porque a saudade veio bater no meu peito.
Menina, eu estou
tão ausente e já sei que mereço um puxão de orelhas. Tanto tempo faz que não te
visito.
Será que te
perguntas o que eu ando fazendo? Ou já sabes?
Nós é que não
sabemos por onde tu andas.
Um dia tão distante
partiste para este mundo estranho e silencioso.
Cris, o coma é
algo horroroso.
Para nós é.
Nunca sabemos o que acontece contigo de fato.
No começo eu
estava sempre por aí, mas a vida vai se modificando, novos rumos vamos tomando.
Ficou tudo mais difícil. Não que eu me esqueci de ti.
Hoje senti
vontade de te dar um beijo. Um daqueles que eu costumava dar.
Faltava teu
olhar que em nada costumava se fixar, mas alguma coisa me dizia que estavas a
gostar.
Cristina,
quantos anos, não, minha menina? Dezessete anos é um tempo muito grande para
nós aqui. Por onde tu andas também é?
Não sei porque,
mas sinto que tua alma perambula por outros cantos. Mas que ela vai e volta no
teu corpo físico. Será mesmo assim? Estou redondamente enganada? Eu me pergunto
e as respostas nunca chegam.
Uma incógnita
marcou teu destino, menina linda.
Como sorrias!
Como brincavas! O que foi feito daquela jovenzinha encantadora?
Como este mundo
é estranho. Tinhas que passar por tudo isso? Nós aprendemos alguma coisa com
tudo isso?
Cris, eu não
puder ir até aí. Não deu mesmo. Mas de alguma forma eu fui. Sentiste meu beijo?
Sentiste meu afago?
Minha querida,
eu te amo. Queria tanto te ver despertando deste longo sono.
Que vontade de
te pegar no colo, falar baixinho.
Está me ouvindo?
Eu te amo, menina. Não estou do teu lado, mas de coração estou.
Fecho os olhos e
te sinto. Sei que estamos pertinho uma da outra.
Fui eu que
cheguei a ti? Ou foste tu que chegaste a mim?
O importante é
que nossas almas se cruzaram. Eu puder sentir.
Meu
abraço de luz pra ti.
sonia delsin

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