QUERIDA MÃE
Mãe!
Que bom poder pronunciar este nome santo.
Nada
na vida supera este sentimento sublime.
Como
me emocionam as cartas que recebo.
Eu
sei que estás ausente na minha vida.
Mas
as cartas a trazem para tão perto de mim.
Eu
sei que esta distância que nos separa é só e tão só uma coisa física.
Por
que no espiritual estamos sempre próximas.
Ainda
sinto o nosso abraço dos tempos de criança.
Quando
eu corria para seu colo bom para me refugiar quando aprontava alguma. Ou sentia
medo, dor. Ou não suportava a realidade.
Mãe,
nunca senti uma mão tão suave tocar meu corpo. Esta mão sempre tão quente e
macia.
Que
amor tão grande eu sempre lhe devotei.
Prometi
que nunca deixaria mais a vida nos magoar e foi assim que me curei daquela
doença ingrata que tive na minha adolescência.
Mãe,
quantas vezes eu a fiz sofrer quando adoecia. Quantas vezes eu a fiz sofrer sem
querer.
Eu
queria ter sido uma filha especial. Queria ter sido forte, saudável.
Mas
precisei trilhar caminhos inúmeros, tortuosos. E os espinhos foram tantos.
Mas
eu fui o tempo todo corajosa, muito persistente e acho que acabei me
encontrando. Acabei driblando a dor e o sofrimento.
Só
agora mulher feita. Madura e quarentona é que eu descobri que podia ter sido
tudo mais simples. Eu devia ter lido antes os livros que leio agora. Porque
eles me ensinam coisas que eu precisava saber.
Mãe,
eu que temia tanto a dor hoje me encontro com poderes para eliminá-la através
de orações. Eu tinha nas mãos a cura e não sabia. Consigo eliminar a dor e
consigo atrair para a minha vida coisas tão boas.
Mãe,
sua filha se encontrou. Encontrei Deus na minha vida e ele sempre esteve tão
próximo. Ele estava em mim e aguardava que eu acordasse e despertasse do
torpor. Hoje, eu me sinto feliz. Feliz e segura de mim.
Comecei
a entender de vida, de morte e de eternidade.
Sou
outra. O meu lado físico é o que menos me importa. Tento a cada dia aprimorar
mais e mais o meu espírito. Estou lapidando a pedra bruta. Eu tinha dentro de
mim um diamante e não sabia.
Como
sabemos tão pouco as coisas que realmente importam!
Mas o que
importa mesmo é que encontrei o fio da meada.
sonia delsin

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