sábado, 17 de maio de 2014



QUERIDA  MÃE

Mãe! Que bom poder pronunciar este nome santo.
Nada na vida supera este sentimento sublime.
Como me emocionam as cartas que recebo.
Eu sei que estás ausente na minha vida.
Mas as cartas a trazem para tão perto de mim.
Eu sei que esta distância que nos separa é só e tão só uma coisa física.
Por que no espiritual estamos sempre próximas.
Ainda sinto o nosso abraço dos tempos de criança.
Quando eu corria para seu colo bom para me refugiar quando aprontava alguma. Ou sentia medo, dor. Ou não suportava a realidade.
Mãe, nunca senti uma mão tão suave tocar meu corpo. Esta mão sempre tão quente e macia.
Que amor tão grande eu sempre lhe devotei.
Prometi que nunca deixaria mais a vida nos magoar e foi assim que me curei daquela doença ingrata que tive na minha adolescência.
Mãe, quantas vezes eu a fiz sofrer quando adoecia. Quantas vezes eu a fiz sofrer sem querer.
Eu queria ter sido uma filha especial. Queria ter sido forte, saudável.
Mas precisei trilhar caminhos inúmeros, tortuosos. E os espinhos foram tantos.
Mas eu fui o tempo todo corajosa, muito persistente e acho que acabei me encontrando. Acabei driblando a dor e o sofrimento.
Só agora mulher feita. Madura e quarentona é que eu descobri que podia ter sido tudo mais simples. Eu devia ter lido antes os livros que leio agora. Porque eles me ensinam coisas que eu precisava saber.
Mãe, eu que temia tanto a dor hoje me encontro com poderes para eliminá-la através de orações. Eu tinha nas mãos a cura e não sabia. Consigo eliminar a dor e consigo atrair para a minha vida coisas tão boas.
Mãe, sua filha se encontrou. Encontrei Deus na minha vida e ele sempre esteve tão próximo. Ele estava em mim e aguardava que eu acordasse e despertasse do torpor. Hoje, eu me sinto feliz. Feliz e segura de mim.
Comecei a entender de vida, de morte e de eternidade.
Sou outra. O meu lado físico é o que menos me importa. Tento a cada dia aprimorar mais e mais o meu espírito. Estou lapidando a pedra bruta. Eu tinha dentro de mim um diamante e não sabia.
Como sabemos tão pouco as coisas que realmente importam!

Mas o que importa mesmo é que encontrei o fio da meada.

sonia delsin

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